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Homepage Blog : Tchau, Unilever!
Por: Ivan Carlos De Lima
04/122018 13:30

Tchau, Unilever!

Assistimos com tristeza a transferência da Unilever de Goiás para Minas Gerais. Essa saída tem um peso histórico e é sinal de alerta que deve incomodar a economia goiana. A decisão da Unilever é uma derrota para o Estado, como foi nos anos 70, a rejeição da Souza Cruz, que optou também por Minas (Uberlândia), hoje a maior fábrica do setor na América Latina. Goiás ficou a ver navios, mas foi importante. A "derrota" nos leva a reflexões transformadoras. O caso "Souza Cruz" impactou Goiás e fortaleceu a tese de que os governos Leonino Caiado e Irapuan Costa Júnior estavam corretos com a Implantação do Daia e da Lei 7.700, a precursora do Fomentar, do governo Iris. A Arisco foi base de formatação do programa pioneiro de incentivos estaduais no Brasil. A goiana Arisco de ontem é parte da multinacional anglo-holandesa Unilever de hoje.

 

É simbólica sua saída da "terrinha". Foi, por muito tempo, a marca do acerto de Goiás. Ficamos, de novo, a ver navios. Merece nova reflexão.


 

O Fomentar e o Produzir são programas medianos há muito tempo. De tantos remendos de mãos fiscalistas, de tanta ausência de desenvolvimentistas, perdemos a competitividade, a confiança e o vigor. De captadores de indústrias, empregos e arrecadação, temo que iniciemos uma fase de transferência de parte do nosso parque fabril para Distrito Federal, Minhas Gerais e Mato Grosso. Ambos têm governadores com perfil e discurso empresarial e, logo na primeira entrevista, destacaram o viés da industrialização.

Em Goiás, vamos manter esse discurso derrotista de redução de incentivos? Quem critica pouco conhece a economia de Goiás? E o caso da Unilever e outros recentes: vão ignorar que "exportamos", em um ensaio de desindustrialização, mais de mil empregos? E os impostos? Mesmo incentivada, a Unilever está entre as 60 maiores contribuintes de ICMS do Estado. Detalhe: a empresa incentivada paga, não atrasa um dia do imposto para não ser excluída do programa. É liquidez certa para o caixa do governo. No caso da Unilever, era.
 

E se, em 2019, uma dezena de empresas incentivadas optarem por projetos mais atraentes nos Estados vizinhos?


Não são as empresas que procuram os governos, mas os governos que as procuram. Goiás fazia isso. Hoje, não mais. Não atrai, nem retém. Nossas empresas estão na prateleira e são atraentes. Se Goiás fraquejar, se perder a ousadia e confiança, se ficar a apontar o dedo e culpar as empresas incentivadas por seu fracasso fiscal, sentará ao lado de São Paulo para reclamar dos incentivos. Momento de reflexão, humildade e escolhas.

Ivan Lima para O POPULAR

Acesse a notícia no site do O POPULAR: https://www.opopular.com.br/editorias/opiniao/opini%C3%A3o-1.146391/tchau-unilever-1.1675511